Terça-feira, 04 de Janeiro de 2011

 

 

                        

 

Miséria ano após ano anulando-nos:

Ria, mira;

Séria, mera;

                           P-MISERANDOS!

 

 

Indústria que se enriquece ao sol dos filhos da magna carência:

Dura, instrua;

Esquecer, doer, durma;

Lufada de ar frio que a estrela ígnea não esquenta nunca.

Fugaz oceano de alegria e rio eterno de tristeza que nos cala:

Radiosa face, fome, falta;

Esmola-Escola-Anuência-Máquina;

Sem-Terra, Sem-Teto, Sem-Aurora, Sem-Nada;

MAR-DE-GENTE-TRISTONHA-NO-JARDIM-E-EM-CASA!

 

 

 

Carcomida casta que lavra a seara de Garanhuns:

Carmo, caco, cava, cova;

Manada que acorda com os galos ao nascer d’aurora.

Comida comendo nenhuma coisa que se valha:

Que come mesmo é nada!

  

  

 

Glebas, Sáfaras, Estilhaços, Estrados, Pratos, Agros, Labuta;

Grilhões, Gritos, Cactos, estertores, ultrajes, loucura;

Grilhões, Luares, Sonhos, Fé, Romeiros, Procura;

Grilhões, Sertões, Profusa água esconsa, Miraculosa chuva;

Grilhões, Sorrisos rurais, Sofreres faciais, Perpétua luta!

Sim, é a Seca que molda, marca, mata, enxovalha, flagela, Inunda...

Sim, é a Seca que se faz a edaz comensal, a insaciável vampira,

A carnívora planta...

Sim, é a Seca, é aquela com a qual se lucra a cúpula dos Sanguessugas...

Sim, é a Seca quem fala, quem manda e desmanda...

Sim, é a Seca que se quer:

Quer que se traduza. Traduza-a em disformes caminhos e Estradas. Traduza-a em disformes frases, orações e

Sintaxes. Traduza-a em plenos coloquialismos, línguas

Semi-padrões, a forma culta!

Finalmente, traduza-a na intradução da tenacidade

Destas pessoas que, ao lançar seus olhos ao céu,

Sempre vêem um arco-íris dar-lhes em retribuição

Uma gargalhada de esperança que semeie aquele

Antigo provérbio no ressequido chão e

Diga a estes que dias melhores certamente virão.

  

 

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

 


sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 11:11
Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

 

 

Forcejo e reforcejo

Com recalcitrante veemência

O parto de um mero poema:

 

A minha verve, ao contrário,

Quer se manter inerte,

Em coma, inacessível á pena

Deste poeta-náufrago!

 

Penso em solfejar

Hinos que esquartejem

A opressão, a amorosa decepção e o flagelo:

Mas, pelo oceano da mente, me navega a nau do deserto.

 

O pensamento meu --- afinal de contas ---

Hoje não deseja degustar o sol da poesia:

Anseia, a bem da verdade,  ser o mor cemitério das ventanias!

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 11:15
Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

                                           

 

 

Talvez eu fosse aquarela,

Mas sou apenas um tosco poeta.

 

Talvez estivesse em Guernica,

Mas testemunho --- todos os dias ---

Florescerem vítimas de banalizadas chacinas

No gigantesco tropical Paraíso do Pré-Sal

E das commodities agrícolas.

 

Talvez presenciasse

As pinceladas catárticas de Frida,

Mas meu ser se limita

A derramar copiosas lágrimas das vistas.

 

Talvez vivesse como um viçoso ébano

Que pisasse em sementes de café nos anos vinte ou quarenta

Do evo passado,

Mas me descubro um preto de pés pneumáticos

O qual --- no século XXI --- engendra

Versos natimortos na sua cabeça de asno.

 

 

 

 

Talvez pudesse dizer a Van Gogh

O quão cultuada e lucrativa

Tornou-se a sua Pintura Impressionista,

Mas somente consigo escrever

--- sobre a folha do caderno Tilibra ---

Letras de aparência carrancuda,

Abjeta: dantesca grafia!

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA  

 

 


sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 12:42
Terça-feira, 09 de Novembro de 2010

 

 

 

Ainda que enferma,

A esperança dardeja:

 

Os déspotas e vampiros de Crônos

Confinam nossa mente e ânimo

Nas trincheiras cavilosas

Do consumo, do velado abandono

Ou das malhas maliciosas

Do circo contemporâneo.

 

Mas, apesar das velhacarias

E da miríade de intempéries,

A faculdade de sonhar

--- mesmo que veementemente imbele

Ou de maneira inconscientemente serelepe ---

Faz pulsar teimosamente

O coração da verve.

 

 

 

 

 

 

 

Ah, a esperança!

Embora seja

Incessantemente mutilada

Por homens-bomba

Da ganância-cornucópia parasitária

 

E sempre esteja

Deitada sobre o ventre

Dos umbrais da cova;

 

No último segundo,

Ela se agarra ---

Com rijeza ---

Á mão estendida

Do lençol freático da vida,

 

Alimentando a vela

Qual torna funesta

A devastadora eloquência

Da canção que regozija os suicidas.

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 14:11

 

 

 

Erijo monólitos de mim quando escrevo

Erijo exílios em mim quando escrevo

Erijo céticas catedrais de paz em mim quando escrevo

Erijo no chão de cimento da minha verve

Girassóis do mágico vento quando escrevo.

 

Faço do silêncio interno

A mais fragorosa música quando eu escrevo

Faço da crédula e velhaca ressonância dos

Corais de zagais modernos

Estro para revelar o sabor malsão de seu mel malévolo

Quando escrevo.

 

Pincelo alcovas para o vácuo dormir comigo

Quando escrevo.

Pincelo AKs-47 para soçobrar os majestosos castelos da demagoga e harpíaca

Eloqüência quando escrevo.

Pincelo uma miríade de pernas sôfregas por cosmopolismo

Quando eu escrevo.

Pincelo heterônimos bidimensionais

Quando escrevo.

Degusto o sol da catarse

Ao pincelar a mim mesmo quando escrevo.

 

 

Sou disco bicromático quando escrevo.

Sou relva, revoada e guepardo quando escrevo.

Sou faca cega, lâmina de dois gumes e pedra lascada quando escrevo.

Sou água-viva, letargia e águia quando escrevo.

Sou aquarela sem pais, aquarela sem limiar e aquarela sem medo.

Afinal, quando eu escrevo,

Sou aquarela inerme, aquarela do caos, aquarela indigente:

Sem nome, sem baile, sem lápide, sem brumas ou testamento!

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 14:07




Meu olhar queda retrátil
Quando sorvido pelo silêncio
Do pensar largo.


Meu fazer nem graceja:
Seu sorriso é cênico
E sorumbático: tem sabor de Mastruz com Carqueja!


Minha jocosa verve
Chora quando readquire
A tez, o sumo
Do deserto e do cabaço.


Então o poema
Nem sangra, nem mija, nem filma, nem escarra, nem voa,
Nem clama, nem ama, nem brame: viva a serenidade!
Nem irrompe lágrimas e nem é porosidade.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA



sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 14:00

           

 

O quão gostaria de ser indiferente

Ao meu coração Atlântico e masoquista:

Emotiva tempestade oceânica

Que me domina, deixando 

 

 

A temeridade ganhar substância

Para depois, de maneira imperativa,

Singrar toda a estrada da minha sina

Como se fosse a inexorável, vampírica

Csarina, A Grande Catarina! 

 

 

Conforme uma febre irascível, raivosa,

O passionalismo, em mim, aflora:

Portanto, os assentes pilares da prudência

Comutam-se na mais moribunda geleira.

 

 

Assim, ao simples desabrochar

Dos olhos da aurora,

A sensatez cai morta

E descerra as comportas

Para a plena vazão

Da vontade indômita, furiosa!

 

 

Então, levianamente,

As palavras pululam

Do cérebro, convergindo

Célere e torrencialmente

Á malograda boca, impertinente.

 

 

 

A sinceridade dá o tom da retórica:

Os vocábulos grossa e sumariamente quedam

Tal um toró de chuva

Que rebenta do celeste ventre

Da soteroplitana primavera.

 

 

Afinal

Falo quando ela declara

Seu amor a outrem:

 

 

 

Sim, infelizmente,

Foi no momento adverso

Que os meus lábios de epicédio

Abriram o gás do verbo. 

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 13:54

             

 

Sinto que lancinam a Terra

Sinto que universalizam o raio de ação das Guerras

Sinto o rugir dantesco e daninho da Ígnea Estrela-Fera!

 

 

Sinto a acústica do Mar medrando

Sinto o Mar tomando de assalto os reinos humanos

Sinto o Mar virando Onipotente e Voraz Oceano!

 

 

Sinto o Deserto desertificando  sonhos

Sinto o Deserto abocanhando verdejantes e fecundos campos pelo mundo

Sinto o Deserto emulsionando o inabalável ânimo!

 

 

Sinto a Vida se esvaindo

Sinto o Sangue secando

Sinto o Planeta em que vivo outro Cosmo se tornando!

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

 


sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 13:52
Segunda-feira, 08 de Novembro de 2010

 

 

 

Lá fora,

A chuva molha o asfalto;

Aqui --- dentro de meu peito,

A imensurável savana indomável ---

Sinto-me perpétuo amanhecer calcinado.

 

Tenho tantas dúvidas

Pesando sobre meus ombros:

Ah, a mente prefere, entretanto,

O elixir da solar primavera

Á indigesta verdade impressa

Nas dolentes páginas gélidas

Do inexorável inverno-escombro.

 

Quero chegar ao cume

Da montanha dos sonhos:

Pegar seus atóis e espólios

Á mão do arco-íris-estanho,

Convertendo-os em estela de ouro

Ou num esplendoroso sol de titânio.

 

 

 

 

Todavia,

Quando regresso

Desta tão libertária viagem-gerânio,

Novamente me encontro

Aprisionado em nosso cotidiano-escafandro:

 

Aí, então,

Eu me readapto

E me rearranjo,

Esperando que um dia talvez

A nossa consciência

Reduza a pó

O cárcere-verdugo

Da sua Fogueira-Soprano,

Tornando-se --- enfim ---

O eterno, libérrimo, belo,

Etéreo e soberano

Pégasus-Oceano!   

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 12:37

 

 

 

Há dias que a retina não controla

A projeção de imagens.

Há dias que a urina infunde

Á leve menção do simples laivo da vontade.

Há dias que a doce e inócua brisa

Escalavra cruelmente a face.

Há dias que a noite

É contínua manhã incólume: a aderente Paisagem!

Há dias que a Escuridão é a alameda

Onde reside a foz de toda a universal verdade.

Há dias que o dia

Aparenta ser fluxos e refluxos de miragem.

Há dias que o Poema

É o mais etéreo plenilúnio da Vacuidade

Há dias que a latitude e a lembrança

São o mais edaz epicentro da saudade.

Há dias que o ser concreto

São os sortilégios de Mérlin, Iemanjá,

Baco, Amon-Rá e o Hades.

Há dias que o Poeta

É corpo sem Verve, a terra sem Verbo: A Vácua Viagem!

Há dias que a guerra

Sucumbe ao sopro do vento da Amizade.

Há dias que a Porta

Não é uma mera passagem.

Há dias que o sofrido povo

Não é miríade e sim, O Principal Personagem.

Há dias que a Poesia sonha

O sonho de ser o Graal da IGUALDADE!

 

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


sinto-me: UMA ILHA DE VERSOS MENORES

publicado por liramenor às 12:33
UM MOSTRUÁRIO DA PRODUÇÃO POÉTICA DO BAIANO JESSÉ BARBOSA DEOLIVEIRA ATENÇÃO: TODOS OS POEMAS FORAM REGISTRADOS PELA BIBLIOTECA NACIONAL, SITUADA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E SE ENCONTRAM SOB A PROTEÇÃO DA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS N° 9.610
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